PFC lança o PFCare: um núcleo de comunicação focada em saúde

A pandemia expôs o que muitos já sabiam: a saúde precisa vir em primeiro lugar. Nunca se falou tanto sobre a importância dela.

Percebendo que não adianta apenas “se falar sobre”, mas que se deve, sobretudo, se “comunicar bem”, a Propaganda Futebol Clube lançou, recentemente, um núcleo de comunicação, focado na área de saúde: o PFCare, que passa a ser um novo braço da agência voltado a clientes da área.

Já atuando junto com alguns importantes players do mercado, a citar a Uniodonto e o DiagLaser, a agência de Porto Alegre investiu na capacitação de seus colaboradores para atenderem a clientes desse nicho e, ainda, contou
com a adesão de profissionais da saúde, visando entregar uma comunicação multidisciplinar e assertiva.

“É mais uma iniciativa da PFC que tem buscado se reinventar desde o início da pandemia. Todos nossos colaboradores estão trabalhando em home office, com novos processos, com mais liberdade e isso tem surtido efeito: clientes estão chegando e encontrando o expertise adequado. Esperamos que, com o PFCare, possamos estar ao lado de empresas da área da saúde com uma comunicação afetiva e efetiva”, afirma o diretor da empresa, Marcos Eizerik.

Whats nosso de cada dia

Começou como uma brincadeira. Todos estavam usando, então eu quis experimentar. Foi bem fácil de conseguir: em dois cliques, ele estava na minha mão. Eu havia instalado o WhatsApp.

Parecia tão inofensivo. Era só um serviço para troca de mensagens. Eu já tinha usado outras coisas parecidas. Achei que essa plataforma não ia “bater” tão forte.

Já estava no Facebook, conhecia o Orkut, então sabia como funcionavam as redes sociais de modo geral, e não levou muito tempo pro meu organismo se adaptar a esta nova.

Sentia uma euforia enorme, poderia falar com qualquer pessoa do mundo inteiro, por todo o tempo que quiséssemos. Mas eu também sentia certa angústia quando minhas mensagens não eram visualizadas, ou certa ansiedade se deixasse de responder a alguém.

Me sentia mais conectado com quem estava longe a cada vez que eu usava um pouquinho. Falei com pessoas que já não via há muito tempo: estavam todos ali, na mesma vibe que eu, partilhando a mesma experiência mesmo que distantes.

Usávamos os chamados emojis para expressar nossos sentimentos. Eu dizia que estava chorando de rir, mesmo que não achasse graça no que foi dito e em meu rosto (real) não tivesse qualquer sorriso, ainda que meu rosto virtual, amarelo e levemente deformado, estivesse fazendo caras e bocas.

Fiz o mesmo para mostrar a língua, para oferecer frutas, para mostrar que estava tranquilo, preocupado, alegre ou com raiva: em só dois cliques eu enviava aquilo que não necessariamente estava sentindo, mas que queria que o outro pensasse que sentira.

Então surgiram os grupos. Começou tomando conta de toda a minha família, logo foi para antigos colegas de escola e, quando vi, eu já estava usando o Whats em grupos com um monte de desconhecidos.

As coisas começaram a ficar estranhas pela primeira vez. Nestes grupos, eu recebia muitas informações que sabia que eram falsas, mas vinham de pessoas que eu confiava e que achavam que estavam certas. Começou a haver muita discussão, muita gente se afastou, parece que o país inteiro se dividiu em dois a partir dos grupos de família que já não mais se entendiam: com um lado baseando as suas opiniões em informações falsas, manifestando o sintoma da confusão e, com o outro, perdendo a paciência para tentar explicar que era falso, dando vida ao sintoma da irritabilidade, ambos também presentes nos quadros relativos a dependências químicas.

Não demorou muito tempo para que todas as empresas passassem a usar também: do dia para a noite, adicionaram em suas fachadas, os seus “números de Whats”. Seus funcionários passaram a ter os seus próprios grupos para se comunicarem mesmo fora do expediente.

No primeiro momento, eu achei prático. Poderia fazer qualquer pedido para praticamente qualquer empresa, usando aquilo que eu achava a melhor forma de comunicação e sem precisar mexer um músculo, apenas os dedos.

Mas foi então, que a minha empresa resolveu criar o seu próprio grupo: e foi aí que as coisas ficaram estranhas pela segunda vez.

Eu já era usuário há anos, mas até o início da Pandemia de 2020, talvez não percebesse tanto os malefícios que isso me trazia e foi, no âmbito profissional, considerando que eu seja apenas um assalariado de uma empresa qualquer, que passei a notar isso de forma mais acentuada.

Falando mais um pouco de história, lembro que logo no início da Revolução Industrial, após 12 ou 14 horas de jornada, os trabalhadores ainda deviam ficar alertas à sirene da fábrica: caso ela tocasse, eles eram obrigados a irem a seus postos imediatamente, o que gerava grande ansiedade e tensão nestas pessoas, pois a sirene poderia tocar a qualquer momento e eles estavam sempre de prontidão.

Hoje, a sirene está em nossas mãos: é a notificação de uma nova mensagem, um novo e-mail. Tenho a nítida impressão de que já acordo trabalhando e de que fico produzindo até a hora de dormir. Me mantenho sempre alerta a uma nova mensagem, a uma nova urgência (dos outros) que eu tenha que resolver, sendo que nenhum destes outros fazem ideia – ou simplesmente não se importam – sobre quais sejam as minhas reais urgências.

Se há três séculos, a possibilidade de desligamento, o direito ao ócio e as jornadas exaustivas foram alguns dos fatores que motivaram uma série de movimentos de onde brotaram os mais básicos direitos trabalhistas, hoje percebo que meu direito ao desligamento foi retirado pela forma como nós, enquanto sociedade, utilizamos o WhatsApp, em excesso.

Estamos usando, estamos conectados 24 horas por dia, todos os dias da semana: e isso é demais, isso traz esgotamento principalmente mental, mas também físico, outras características das dependências químicas.

O home office, realidade trazida para muitos após o início da Pandemia, intensificou a (suposta) necessidade das empresas em utilizarem o WhatsApp ao mesmo tempo em que colocou seus funcionários sob constante alerta: tudo se mistura, a empresa virou a casa, a casa virou a empresa, o quarto virou escritório e uma notificação, um e-mail que você não responda imediatamente, pode dar a entender que você é um péssimo profissional, que você estava errado por estar tomando banho naquele momento, que você estava errado por ter sono. É olho no relógio, nas redes sociais, numa mensagem à noite, na madrugada: não se escova mais os dentes sem que já se veja que há mil coisas para se resolver, mensagens a se responder.

Médicos sabem a quantia necessária para se ter uma overdose de cocaína, por exemplo, mas será que conseguiremos, algum dia, calcular a dose de informações a que somos expostos para termos uma relação mais saudável com essas tecnologias?

Ou será que este novo vício, que sei que você também tem em maior ou menor grau, só terá seus efeitos estudados daqui a 20, 30 anos, quando novas patologias tiverem surgido a partir destes comportamentos, quando, de certa forma, o sistema de muitos já tiver bugado?

Será que vão se criar grupos de autoajuda para viciados em WhatsApp no próprio WhatsApp? Isso, o futuro dirá. Por enquanto, copie o link deste texto, compartilhe nos seus grupos de Whats, nas suas redes sociais, bote um sorriso de emoji amarelo no rosto e vamos seguir fingindo que está tudo bem e que a sociedade está em um relacionamento saudável com essas novas tecnologias.

Neste Novembro Azul, perguntamos: você tem medo de quê?

Homens, precisamos falar sobre os nossos medos. E precisamos mesmo, antes de qualquer coisa cabe dizer que este texto é escrito por um homem, direcionado a homens, e visa lembrar, sobretudo, que nossos medos nos matam.

Somos ensinados a não ter medo, mas nem percebemos o quão medrosos somos, desde a infância.

Por trás da frase “homem não chora”, por exemplo, aprendemos que devemos temer a demonstração de emoções. Isto por si só, já implica em diversos fatores psicológicos, que podem passar por pequenos traumas a grande doenças que envolvam relacionamento interpessoal.

Com o passar do tempo, os medos vão mudando de forma devido às pressões sociais, mas estão sempre presentes.

Poderíamos levantar diversos outros exemplos de como a cultura do medo está implícita no cotidiano que forma a masculinidade, na adolescência, na vida adulta e na velhice.

Transar com o maior número possível de mulheres esconde o medo da solidão, da impotência, demonstra a necessidade de aprovação perante a sociedade para ser visto como “garanhão”.

Ter um comportamento viril, ser forte, provedor, ter confiança em si mesmo: debaixo de tudo isso, está o medo da desaprovação, estão as práticas comportamentais conhecidas na psicologia como “manual imaginário do homem viril”.

Dentro deste mundo imaginário, mas ao mesmo tempo, tão real, um dos medos mais comuns é o de ir ao médico.

E é aqui que entramos na relação entre todos os medos que formam a nossa personalidade masculina, e nem percebemos, com o novembro azul: o medo de um exame específico, que é o exame de toque retal para detecção do câncer de próstata.

Pouquíssimos homens viriam a admitir que sentem “medo de um exame” e utilizariam ene subterfúgios argumentativos para não realizar o exame de qualquer forma, mas queremos aqui, pensar um pouco sobre de onde vem esse medo, de onde vem o tabu sobre um dedo no ânus.

Com o perdão do trocadilho, o papo é reto: a maioria dos medos vem daquilo que não se conhece, que se tem preconceitos ou informações imprecisas sobre o fato em si.

Se o medo do exame é sobre a dor em si em sua realização, poderíamos tranquilizar os desavisados de que há uma preparação anterior para que esta não seja sentida e poderíamos relacionar a qualquer outro tipo de incômodo que temos em cadeiras ou salas médicas, sendo que arrancar um dente, por exemplo, pode doer muito mais do que a realização do exame.

Reconhecendo que boa parte do medo do exame de câncer de próstata não vem da dor que possa ocorrer, há uma boa parcela dos homens, em especial com idades mais avançadas, que tendem a associar o ânus com a orientação sexual e apresentam o argumento cada vez mais combatido, mas ainda presente, de que “seriam vistos como gays se realizassem o exame”.

A esses, temos uma novidade que pode abrir as perspectivas: homossexuais são pessoas que gostam do mesmo gênero e não diz respeito a qualquer tipo de prazer ou não com o reto. Há, inclusive, casais heterossexuais onde ocorre este tipo de prazer e, nem por isso, o homem pode ser visto como “gay”, pois sua orientação sexual ainda é direcionada ao outro gênero.

Ou seja, não há sentido em ter medo de um exame por achar que sua orientação sexual mudaria, milagrosamente, se o fizesse.

Pincelados os medos biológicos e sociais, ainda cabe outro que é visto como um dos fatores para homens não fazerem o exame de próstata: a vergonha e a vulnerabilidade a que ficam expostos no momento da realização.

Sobre isso, cabe lembrar de exames urológicos, onde a pessoa fica tão vulnerável quanto e é sempre importante de se salientar a necessidade da procura apenas por médicos de sua confiança para realizar qualquer tipo de exame.

Por fim e indo mais a fundo, a não-realização do exame pode estar associada ao medo da morte. Sim, pois “se eu não descobrir a doença, ela não existe”.

O que se trata de outro medo infundado e que tanto mata por aí, tendo em vista que é justamente o diagnóstico precoce de qualquer tipo de câncer que aumenta (e muito) a sua chance de ser curado.

Contudo, esperamos que esse texto tenha servido para você colocar um pouco o dedo na consciência: não há justificativa plausível para ter medo de um exame que pode salvar a sua vida.

PFC no Outubro Rosa: um relato sobre o câncer de mama

Minha mãe teve câncer de mama. Não lembro muito bem, tinha seis anos, mas lembro um pouco. Da angústia em casa, das horas acompanhando seu tratamento.

Naquele ano, ela foi uma das 70 mil pessoas que são diagnosticadas em média no Brasil com este câncer.

Ela descobriu “bolinhas” fazendo o autoexame e realmente procurou um médico, muito antes das campanhas de outubro rosa chegarem ao país. Fazer isso e procurar um tratamento rápido faz toda a diferença para se combater qualquer câncer.

Com plano de saúde que tinha à época, ela se diferenciava dos 75% de brasileiras que dependem exclusivamente do SUS para ter acesso à saúde.

Que vale ser salientado, oferece de graça um tratamento caríssimo e completo, demonstrado em ótimos índices de recuperação das pacientes tratadas por lá, porém, com suas limitações também já reconhecidas em outros âmbitos.

Por ter descoberto bem no início, o tratamento dela levou poucos meses e terminou com uma pequena cirurgia. Isso é o que acontece com 95% dos casos em que o tumor tenha menos de 01 centímetro, este chamado “estágio inicial”.

Mesmo com essa alta taxa de cura, ele representa 16,5% do total de óbitos por câncer que ocorrem no país, sendo também, o que mais mata mulheres pelo mundo.

Justamente sabendo destes dados, vale abordar um lado pouco debatido, que são os efeitos psicológicos e permanentes por ter se enfrentado e superado um câncer.

Se na parte biológica, a sua cura que pode ser medida e controlada, na parte psicológica, isso não pode ser feito.

Um dos dados neste sentido, diz que mulheres tem seis vezes mais chances de serem abandonadas por seus parceiros quando são diagnosticadas com doenças graves e este número chega a 70% nos casos de câncer de mama.

Outro fator diz respeito aos casos graves, onde a mastectomia é recomendada, causando efeitos psicológicos pouco debatidos nestas mulheres e em suas famílias.

É para jogar luz sobre este e tantos outros temas relacionados ao câncer de mama, que se criou, na década de 1990, o outubro rosa, visando incentivar a prevenção a esta doença.

Também é por isso que publicamos este texto: sendo mais uma das tantas marcas que aproveitam o mês de outubro para lembrar a todas as mulheres que venham a nos ouvir ou ler, sobre a necessidade de se realizar autoexame regularmente e de se procurar um médico para fazer a mamografia com frequência.

* Um esclarecimento ético que se faz necessário – De forma afetiva, dizemos que este é um texto ficcional. De forma efetiva, lembramos que esta história acontece com milhares de famílias neste momento.

Com largo sorriso no rosto, PFC anuncia Uniodonto como nova cliente

 

 

 

“Afetividade é a alegria em apresentar um novo cliente. Efetividade é dizer que é a Uniodonto Porto Alegre. Afetividade é o desejo de já ajudar a empresa a crescer. Efetividade é reconhecer que este crescimento se dá no dia a dia.”

É assim que a Propaganda Futebol Clube, PFC para os íntimos, uma agência de publicidade em Porto Alegre, deu as boas-vindas à sua nova cliente, a Uniodonto.

Utilizando o conceito “afetividade e efetividade”, a agência, um hub de comunicação, vai atender integralmente a conta da Uniodonto Porto Alegre, no ambiente físico e virtual, desenvolvendo o planejamento comunicacional para o
marketing digital e os materiais impressos, vídeos e áudios da empresa.

A Uniodonto é reconhecida como a “maior cooperativa odontológica do mundo” e cabe à Propaganda Futebol Clube, a missão de aumentar o número de clientes através da venda dos planos odontológicos reconhecidos nacionalmente.

Já trabalhando com a marca, a agência de Porto Alegre vai implementar o seu exclusivo sistema AGIR – acompanhamento e gerenciamento imediato de redes sociais, se dedicando 24 horas por dia a acompanhar o que as pessoas falam sobre a Uniodonto nas redes sociais.

“Principalmente neste momento de crise do coronavírus, conseguir este novo cliente é muito importante e simbólico para nós, mostrando que estamos no caminho certo, contando com profissionais altamente capacitados para encarar
o desafio de atender a uma conta deste porte”, afirma Marcos Eizerik, presidente da Propaganda Futebol Clube.

 

Ano perdido ou vidas perdidas: as lições de mais uma polarização.

Tínhamos dito que o próximo texto publicado aqui, seria sobre fake news. Já se tinha uma ideia, de se fazer algo divertido, com uma abordagem leve, que fosse uma conversa com avós, pais, mães, tiozões, dando dicas fáceis para se evitar ou se detectar as fake news.

Mas não dá.

Não dá pra ser divertido, não dá pra escrever leve vendo os caminhos que o país segue trilhando em meio à pandemia.

As fake news ficam pra depois, possivelmente pra mais perto da eleição, hoje queremos falar sobre a polarização da moda: abrir ou não as escolas.

Sem mencionar as polarizações históricas no país, que ao contrário do que alguns possam pensar, surgiu séculos antes de junho de 2013, vamos nos ater apenas àquelas que vieram durante o contexto pandêmico, surgido há cinco meses no país.

Já houve o embate entre usar ou não a máscara. É “embate” mesmo e não “debate”. Em uma discussão polarizada, pouco importam os argumentos, sejam eles científicos ou fruto, inclusive, de fake news.

Mas não vamos falar delas de novo.

Já houve o lado da cloroquina e o da tubaína; o do vem pra rua e do fique em casa; o da gripezinha e o do fim do mundo.

Talvez o fruto de todas as polarizações durante este período tenha sido colocar a saúde em oposição à economia, como se uma não dependesse intrinsicamente da outra.

Agora, com média próxima a mil mortes por dia desde junho e diversos decretos autorizando a reabertura das áreas não essenciais, a discussão central se voltou para as escolas, para a educação e para as crianças.

Um lado argumenta que as aulas têm que voltar de forma presencial.

Crianças são muito inquietas em casa, dizem os pais impacientes; Jovens podem pegar o vírus sem problemas, dizem os negacionistas; As crianças vão respeitar o distanciamento, diz quem não lembra da infância.

O outro lado não inovou em seus argumentos e usa a mesma ideia que foi apresentada desde o primeiro caso de contaminação por coronavírus no mundo: as pessoas vão se infectar e algumas vão morrer.

Daquele confronto entre saúde e economia, originou-se agora, a oposição entre saúde ou educação.

A frase “o ano estará perdido” tem pipocado na mídia tradicional e nas redes sociais por uma fração da comunidade escolar e parte dos pais que defende a retomada das aulas presenciais.

Será mesmo que o ano estará perdido?

O conteúdo escolar estará lá, pronto para ser ensinado a qualquer momento, mas e os aprendizados que esta situação pandêmica pode proporcionar às crianças no dia a dia?

Aprendizados como civilidade, solidariedade, cidadania, empatia e diversos outros estão certamente ocorrendo nas mais diferentes casas, das mais diversas crianças em todo o país.

E olhando com otimismo, isso pode valer muito no futuro não apenas individual destas crianças, como da sociedade como um todo.

Não dizemos, porém, que são dispensáveis os aprendizados do currículo escolar: bem longe disso.

Mas dizemos sim, que a pandemia está ensinando importantes lições a todos, inclusive a crianças e jovens sem precisarem estar aglomerados em salas de aula para isso.

Mesmo sabendo que a maior parte das escolas públicas ou privadas adotaram medidas de ensino a distância, podem se considerar os casos mais graves, onde nem o poder público ou os empresários fizeram algo até agora para se adaptar a esta nova realidade, e se imaginar a situação daquelas crianças que não tiveram acesso algum a qualquer tipo de conteúdo do currículo escolar neste ano.

Até elas, e talvez principalmente elas, estão aprendendo diariamente. Se não nos livros, na prática. Se não nas salas de aula enfileiradas, nas salas de casa: por vezes, abarrotadas.

Ninguém precisa se expor aos riscos para ter contato e aprender o currículo escolar. Os gestores das instituições de ensino públicas ou privadas devem encontrar as formas adequadas para levar este conhecimento às crianças ou jovens, considerando a realidade vivida por cada um deles.

Não é uma tarefa simples, mas necessária.

Por aqui, desejamos que a saúde pare de ser colocada nos debates em oposição à economia, à educação ou a qualquer outra área.

Que de mais esta polarização, se tire o ensinamento de que a única lição de vida que as crianças não merecem, é o de ter que se despedir de algum ente querido.

Só no Brasil

Temos uma piada interna aqui na agência que é “só no Brasil”.

Surgiu nem sei há quantos anos como forma de implicar, brincar e questionar o discurso de muitos de que “só no Brasil” acontecem certas coisas.

Antes, a brincadeira geralmente opunha-se a frases do tipo: “só no Brasil tem corrupção”; “só no Brasil os impostos são mal investidos”; “só no Brasil a justiça não funciona” e tantas outras situações que é notório não ser verdade, não se tratarem de fatos exclusivos do Brasil.

As exclusividades generalistas nunca eram pro “lado bom”, nunca era “só no Brasil tem um povo tão solidário”; ou “só no Brasil tem tais paisagens” e etc., era sempre mostrando aspectos negativos do país e de seu povo.

Agora, ainda em meio à pandemia e escrevendo de casa com dúvida se seria certo falar no início do texto “aqui na agência”, percebemos que neste aspecto pandêmico, nos foi tirada a possibilidade de questionar brincando: “será que é mesmo só no Brasil?”, pois percebemos que, realmente, a forma peculiar que só o Brasil tem lidado com o coronavírus, não encontra exemplos no mundo em diversas situações.

A primeira e mais evidente, é que não temos ministro da saúde.

Só no Brasil se lida com uma crise sanitária sem ter um chefe para responder sobre as decisões e orientar a sua equipe. Nenhum outro país no mundo ficou sem ministro da saúde por tanto tempo, havendo ao menos outros 09 exemplos de países onde estes foram trocados, mas em todos, prontamente substituídos.

Só no Brasil, as lives fazem tanto sucesso. Já falamos sobre isso aqui, mas se percebe, observando principalmente os Estados Unidos, que as lives não se tornaram moda, ao menos não no mesmo formato e com a mesma intensidade que se tornou um produto cultural para os brasileiros quarenteners.

Só no Brasil, os médicos seguem recomendando um tratamento que teve sua eficácia descartada pela Organização Mundial da Saúde. Não vamos explicar como se chegou a até esse ponto, mas cabe dizer, se o leitor não vê as notícias, de que até o presidente, diagnosticado com o vírus, se trata e faz propaganda para um remédio que comprovadamente não funciona para esta doença.

Comparando ao mundo, sobre isso cabe dizer que o presidente dos EUA havia sido o primeiro a defender publicamente a utilização deste remédio, mas que pouco tempo depois, ele também abandonou esta ideia, ainda que ele próprio detenha “pequena parte” de uma das empresas que produz este medicamento, e que, outra comparação, seria com a Venezuela, onde o presidente também defendeu e abandonou esta ideia.

Só no Brasil se fala sobre flexibilizar uma quarentena que nunca existiu. À exceção de poucos municípios que decretaram o lockdown por determinado tempo, a grande parte do Brasil sequer faz ideia do que seja uma quarentena verdadeiramente restritiva, como a que houve na Itália, Espanha, em regiões dos EUA, da China e em boa parte da Europa e da Índia.

A isso, pode se argumentar “também houveram outros países que não fizeram quarentena”. É verdade, porém, nestes países não se percebe o discurso de abandonar algo que nunca existiu. Se reconhece que a quarentena não foi feita aos moldes clássicos e sim, de que ela já nasceu flexibilizada, o que não ocorre aqui, onde há um equívoco sobre a distinção entre isolamento/ distanciamento social e quarentena restritiva.

Poderíamos cair em algumas generalidades que talvez sejam verdades, como: “só no Brasil houve a crise política entre os três poderes”; “só no Brasil, as pessoas levaram meses para receber a assistência financeira governamental”; “só no Brasil, foi vetado o uso obrigatório de máscaras em espaços públicos”; e algumas outras que sabidamente não são verdades, mas que tem pipocado por aí, como  “só no Brasil, as pessoas não sabem usar máscaras”; ou “só no Brasil voltaram a lotar os bares após a reabertura” ou aquela mais “cachorra” de todas de que “só no Brasil, as pessoas moram aglomeradas”.

Perceba a diferença entre os dois conjuntos de afirmações e aqui já deixamos uma pitada sobre o que possivelmente será o próximo texto publicado aqui, falando sobre as fake news: no primeiro conjunto, não podemos afirmar com certeza que seja só no Brasil onde isso ocorreu devido à falta de pesquisa aprofundada nos demais países; Já no segundo grupo de afirmações, todas reais e retiradas das redes sociais, podemos afirmar com categórica certeza de que não são verdades e se percebe que aqueles defensores do discurso de que falávamos lá no início, aqueles que diziam que a corrupção só havia no Brasil, por exemplo, é o mesmo que utiliza hoje, informações como esta pra desqualificar e subjugar o nosso povo.

O fato é que realmente, só o Brasil tem o jeitinho brasileiro de se lidar com cada situação. Das micropolíticas individuais do dia a dia, como usar ou não a máscara, até as macropolíticas, como não termos um ministro da saúde até agora, os brasileiros vão aprendendo a se virar frente a tudo isso, a todo pandemônio que a falta de gestão em saúde pública coloca o país neste momento.

Infelizmente, a brincadeira interna parece ter perdido a graça por toda a realidade externa. E pior: com tudo o que está acontecendo, a frase “só no Brasil” pode acabar dando lugar para a frase “o Brasil está só”.

As lives, a tribalização do mundo e a saúde mental

Há um sociólogo contemporâneo chamado Michel Maffesoli, que escreveu em 1992, uma obra traduzida em português com o título: A Transfiguração do político – a tribalização do mundo.

No final do século XX, ele percebia muitas características que viriam a ser a base, quase que a espinha dorsal dos cidadãos vivendo em sociedade no século posterior, a suposta pós-modernidade, em especial aqueles indivíduos das chamadas gerações Y e Z, já mais propensos a familiaridades com novas tecnologias.

Suas reflexões inspiraram centenas de outras obras mundo afora, incluindo as análises de sociedade líquida defendidas por Bauman, a partir de 2000, que também tanto falam sobre quem somos hoje e porquê a sociedade e os indivíduos são da forma em que estão.

Em resumo ordinário de uma das ideias centrais desta obra-prima sociológica, e já puxando para o nosso atual contexto pandêmico, ele diz que a força do relacionamento entre os indivíduos para formarem as suas tribos, ou seja, pertencerem a um grupo, não mais estaria em sua localização, como no passado, mas sim, em seus interesses, seus gostos e/ou comportamentos manifestados e mediados pela internet.

Perceba que muito antes, já se dizia das “tribos urbanas”, os hippies podendo ser um belo e distante exemplo, que se juntavam pela afinidade em prol de determinado objetivo, mas que viam a necessidade de estarem juntos fisicamente para compartilharem experiências e sentirem-se integrados.

E as tecnologias, em especial a internet, colocaram isso em outro patamar: o sentido de “estar junto” foi transfigurado para a realidade pós-moderna e não mais passou a ser necessária a presença real, lado a lado, para que o indivíduo identifique que ele está acompanhado.

Se não “acompanhado”, no mínimo, que não está sozinho, o que faz toda a diferença quando se olha sob um aspecto psicológico. E é aqui, que entra a importância das lives para a saúde mental em meio a este momento da pandemia do coronavírus.

É lógico que a sanidade não depende de assistir a alguns shows ao vivo, mas diz-se aqui que esta noção de pertencimento, o sentido de estar vendo e fazendo as mesmas coisas que milhares de outras pessoas no mesmo momento, traz a noção de que se está acompanhado mesmo que se esteja sozinho.

Esta noção de pertencer a um grupo e sentir-se realizado por isso, já indo de encontro à ideia de outro autor chamado Maslow, que desenvolveu a pirâmide das necessidades humanas, é fundamental para se conseguir um equilíbrio emocional.

O indivíduo busca formas de satisfazer as suas necessidades, sendo a de sociabilidade uma delas, e neste contexto de isolamento social, onde se sabe que o ideal para preservar a saúde física é cumprir o distanciamento de aglomerações, as lives vêm possibilitando a integração e o compartilhamento de experiências simultâneas para estes determinados grupos.

Cabe lembrar de outra ideia do Maffesoli que caracteriza a sociedade em tribos, que é o imediatismo, a vontade de ter tudo aqui e agora e, de fato, com computadores e celulares sempre à mão, sabemos que conseguimos.

Se ele havia dito que “somente o presente vivido aqui e agora com os outros importa”, isto é facilmente aplicável à relação entre lives, tribos e saúde mental, ao modo em que elas são vídeos ao vivo trazendo uma experiência individual, mas compartilhada, para milhares de pessoas nas mais diversas partes do mundo, unindo todas elas naquilo que poderia se chamar de “tribo das lives”.

Se num mundo analógico (ou pré-pandêmico) estar num show simbolizava uma multidão de pessoas aglomeradas com música muito alta, agora num mundo digital das lives (ou ainda pandêmico), o som é o mais alto que a caixinha de som ou o volume da TV pode suportar e as companhias tendem a ser aquelas pessoas que se vê todos os dias, podendo dançar apenas na sala e não mais nos salões.

Até podem mudar as formas de se dançar, cantar, se distrair, fazer parte de um grupo, “estar junto” mesmo que não fisicamente, consumir os mais diversos tipos de cultura e saber que não se está sozinho, mas tudo isso sempre será fundamental para o equilíbrio emocional e a preservação da saúde mental.

Pandemia já era. Agora, é pandemônio

Definição de pandemônio:

  1. sent. fig.: mistura confusa de pessoas ou coisas; confusão.
  2. associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias.

A ideia para este texto começa no dia do pedido de demissão do ministro da saúde, Nelson Teich, e termina quando o Brasil ultrapassa a marca de 27 mil mortos por Covid-19 e se aproxima dos 500 mil casos confirmados.

Enquanto o mundo enfrenta a pandemia do coronavírus, o Brasil dá um belo exemplo global sobre como é o jeitinho brasileiro de se lidar com os problemas.

Não temos mais ministro da saúde. O tal do Teich saiu, ficou um general como interino até agora (14 dias depois) e não parece haver qualquer disposição para que algum médico assuma o cargo.

Mais do que isso, é bom avisar a um leitor desinformado, que o país segue em sua constante crise política, com o Executivo e Judiciário em alta tensão, com a sociedade em sua quase permanente dicotomia entre revistas científicas e grupos de WhatsApp; vem pra rua, fique em casa; saúde e economia; cloroquina e tubaína.

Voltando ao termo “pandemônio”, percebemos, então, que faz sentido que ele seja utilizado na situação do Brasil, onde qualquer pessoa com dois neurônios ou mais concorda, o país está lidando de forma confusa com este problema desde o seu surgimento por aqui.

É bom lembrar que “demo”, o mesmo radical que origina a idolatrada “democracia”, vem do grego “demos”, significando “povo, gente” e que, como vimos, pandemônio não se refere ao capeta, mas sim, a uma “mistura confusa de pessoas”.

Na falta de atitudes do governo federal, governadores tomaram à frente e passaram a implementar as medidas de isolamento recomendadas pela OMS para diminuir a propagação do vírus.

Pouco mais de dois meses se passaram, com uma série de confusões: ministro da saúde discordando de presidente; presidente e governadores se xingando mutuamente; ministro da justiça acusando presidente de diversos crimes; presidente fazendo propaganda para remédio sem comprovação científica, entre tantas outras notícias diárias que já fazem parte da realidade do país há um bom tempo.

Se até então, mesmo com todos os problemas e dentro de cada possibilidade individual, governadores seguiam as recomendações de órgãos científicos, na última semana, passaram a adotar uma posição diferente e a fazerem o que estão chamando de “flexibilização do isolamento” ou “distanciamento controlado”.

No bom português, cederam à pressão econômica em detrimento da comunidade científica e mandaram reabrir tudo, jogando o povo à Deus-dará, em um salve-se quem puder para desviar desse inimigo invisível.

Estipularam regras que sabem que não serão cumpridas pelos estabelecimentos, outras que são inviáveis na prática para boa parte da população, e assumem que não haverá fiscalização o suficiente para garantir o cumprimento das medidas, contando assim, com o “bom senso” da sociedade.

E voltamos ao jeitinho brasileiro: o quanto de “bom senso” é necessário para conter uma pandemia? Se já era pandemia, e no Brasil, percebemos que a situação está mais para pandemônio por conta de decisões confusas de todas as esferas governamentais, o que será que o futuro reserva para nós?

Mentes simplistas tendem a encontrar soluções fáceis para problemas difíceis. Mesmo que não queiram e que supostamente não tenham algum desvio moral, o cérebro procura por uma palavra mágica, um “abracadabra” que possa resolver o problema.

Para o presidente, esta palavra é cloroquina. Para os governadores, que agora não mais seguem as recomendações científicas e jogam a sua população à sorte de pegar ou não o vírus, de ir ou não para a UTI, este termo milagroso, que vai supostamente salvar a economia mesmo que algumas vidas sejam perdidas, passou a ser “distanciamento controlado”.

Como já escrevemos aqui, este parece ser mais um momento da história recente onde sábias palavras de fonte duvidosa fazem todo o sentido: “que Deus tenha misericórdia desta nação”.

O Intertexto em tempos de coronavírus

Primeiro levou os idosos.

Mão não me importei com isso,

eu não era velho.

 

Em seguida levou os desempregados.

Mas não me importei com isso,

eu tinha emprego.

 

Depois encheu os leitos do SUS.

Mas como eu tinha plano de saúde,

também não me importei.

 

Depois foram os doentes crônicos.

Mas como eu não era do grupo de risco,

também não me importei.

 

Agora ela está me levando.

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém,

ninguém se importa comigo.

 

Texto adaptado de Bertolt Brecht, em “Intertexto”. Ainda não é tarde, #FiqueEmCasa e se importe com os outros: isso não é só sobre você. Texto completo do Brecht abaixo.

 

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

 

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

 

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

 

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho meu emprego

Também não me importei

 

Agora estão me levando

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.